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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

"Paixão: sentimento mais idiota que alguém pode sentir e nutrir por outra pessoa.
Quando a pessoa se apaixona, muitas vezes deixa de viver, ou seja, deixa de conviver com os seus mais íntimos pra viver em prol do mundo da "fantasia" que ela criou, muitas vezes só dela...
Começa a fantasiar que a pessoa por quem esta apaixonada é perfeita, que nela não há erros, defeitos ou mentiras, e se alguém próximo tenta advertir de que pode estar enganada ou sendo enganada, de uma hora para outra os amigos passam a ser inimigos, invejosos, que querem atrapalhar a felicidade, o suposto idílio.
Muitas vezes, só após sofrer uma desilusão percebe que quem ama de verdade tenta advertir, abrir os olhos; mas às vezes é necessário que, mesmo amando, deixemos que nossos entes queridos "quebrem" literalmente a cara. Só assim amadurecem e aprendem a valorizar quando um dia encontrarem o verdadeiro amor..."
Alysluz (20/04/2013)


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013



"A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, 
delicado e penetrante dos sentimentos. 
E o mais independente. 
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, 
as distâncias, as impossibilidades. 
Quando há afinidade, qualquer reencontro 
retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto 
no exato ponto em que foi interrompido. 

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. 
É uma vitória do adivinhado sobre o real. 
Do subjetivo para o objetivo. 
Do permanente sobre o passageiro. 
Do básico sobre o superficial. 

Ter afinidade é muito raro. 
Mas quando existe não precisa de códigos 
verbais para se manifestar. 
Existia antes do conhecimento, 
irradia durante e permanece depois que 
as pessoas deixaram de estar juntas. 
O que você tem dificuldade de expressar 
a um não afim, sai simples e claro diante 
de alguém com quem você tem afinidade. 

Afinidade é ficar longe pensando parecido a 
respeito dos mesmos fatos que impressionam comovem ou mobilizam. 
É ficar conversando sem trocar palavras. 
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento...

Afinidade é sentir com. 
Nem sentir contra, 
nem sentir para, nem sentir por. 
Quanta gente ama loucamente, 
mas sente contra o ser amado. 
Quantos amam e sentem para o ser amado, 
não para eles próprios. 

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. 
É olhar e perceber. 
É mais calar do que falar, ou, quando falar, 
jamais explicar: apenas afirmar. 

Afinidade é jamais sentir por. 
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. 
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. 
Compreende sem ocupar o lugar do outro. 
Aceita para poder questionar. 
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar. 

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. 
É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, 
quanto das impossibilidades vividas. 

Afinidade é retomar a relação no ponto em que 
parou sem lamentar o tempo de separação. 
Porque tempo e separação nunca existiram. 
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, 
para que a maturação comum pudesse se dar. 
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, 
cada vez mais a expressão do outro sob a 
forma ampliada do eu individual aprimorado."
Artur da Távola